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No dia 4 de julho, na Cidade da Guatemala, o Comitê Olímpico Internacional anuncia a cidade-sede dos jogos de inverno de 2014. Neste dia, os 111 integrantes do COI vão escolher entre Salzburg (Áustria), PyeongChang (Coréia do Sul) e Sochi (Rússia).
O encontro ganha ainda mais relevância depois da renúncia do presidente da federação de esqui da Áustria e vice-presidente do Comitê Olímpico Austríaco, Peter Schoecksnadel, por conta de um escândalo de doping que rendeu à Áustria, uma multa de US$ 1 milhão, o banimento dos atletas envolvidos e a ameaça de ser eliminada na briga pela sede dos jogos.
Este exemplo confirma que o esporte de alto rendimento já não é movido apenas pelo espírito olímpico do Barão de Cobertein. A política impregnou o esporte e influi diretamente nos seus resultados.
Entre
No entanto, não basta que os cadernos de encargos da Fifa ou do COI sejam preenchidos. O país que tem essas pretensões precisa entender como funciona o jogo político nos bastidores.
Os dirigentes austríacos agiram rápido afastando os envolvidos no escândalo, que é suficiente para eliminar a Áustria dessa corrida. O COI deu até Junho do ano que vem para que as autoridades esportivas da Áustria apresentem o relatório dos resultados das investigações sobre os atletas de biatlon e esqui cross-country apanhados nos jogos de inverno de Turin, de 2006.
Além do prejuízo político que a Áustria poderá sentir, os atletas do país podem sofrer pesadas sanções como ficar de fora dos jogos de verão de 2008 e dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2010.
Apenas em 2004, o Comitê Olímpico Internacional investiu quase US$ 20 milhões no controle anti-doping, mas são cada vez mais ousadas as tentativas de burlar as regras, a ética e o espírito esportivo.
Grandes multinacionais estampam suas marcas em atletas que são verdadeiros outdoors ambulantes. Carregam a imagem de super-homens, indestrutíveis e invencíveis. São exemplos para os jovens e crianças e carregam a bandeira nacional, símbolo do nacionalismo e do patriotismo.
Ao serem flagrados dopados, não prejudicam apenas a si, mas o país e o povo que representam. Atletas que se dopam para vencer humilham gerações inteiras de seguidores, maculam a imagem de patrocinadores e colocam o próprio país sob suspeição.
Lamentavelmente, o esporte é usado como um negócio e dele tiram proveitos políticos inescrupulosos. Além disso, muitos atletas são manipulados por verdadeiras máfias que ignoram por completo quaisquer regras de conduta. Apostam em velocistas como se apostassem em cavalos de corrida. Não faz diferença.
Por essa razão, é preciso redobrar a vigilância e as atenções sobre os jogos do Rio de Janeiro. Por trás dessa indústria de anabolizantes e drogas, há também a política internacional que influi. Muitas vezes, um país adota uma postura em relação a um tema como o aquecimento global ou a produção de combustíveis alternativos e isso contraria muitos interesses.
O Brasil, por exemplo, tem contrariado muitos países ricos com essa história do etanol que pode afetar, sobretudo, países exportadores de petróleo. Até mesmo na América Latina, há países que vêem a emergência do Brasil na questão energética como ameaça.
Portanto, é preciso redobrar as atenções para que o Rio de Janeiro não seja palco de retrocessos no esporte. Principalmente em relação aos atletas brasileiros. Mais que uma bandeira, carregam um sentimento de afirmação. Mais que medalhas, podem conquistar e sedimentar o respeito mundial. [1]O texto está editado como no original, em língua brasileira. [2]Marcelo Rech é jornalista, especialista
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