2008/06/29
O terrorismo no Peru e a União Europeia
Marcelo Rech[1] (Brasil)

O Peru aguarda, com grande expectativa, a revisão pela União Europeia do caráter terrorista do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA), responsável entre outras coisas pelo seqüestro da residência do embaixador japonês em Lima em 1997 e que durou quatro meses.

O Parlamento Europeu, garantiu em abril seu presidente Hans-Gert Pottering, vai rever a decisão de retirar a organização da lista de grupos terroristas. Em Lima, por ocasião da V Cúpula América Latina-Caribe – União Européia, Pottering reconheceu que a decisão foi motivada pela falta de informação e pela desinformação dos eurodeputados. Essa revisão é fundamental para que os esforços realizados pelo Peru no combate ao terrorismo deste e do Sendero Luminoso, não sofra um retrocesso. Os congressistas europeus voltam a se reunir no dia 7 de julho.

Enquanto aguardam, os peruanos fazem a sua parte. Nesta semana, a Suprema Corte do país decidiu por unanimidade elevar de 32 para 35 anos a pena de prisão imposta aos líderes do Tupac Amaru, Víctor Polay Campos e Miguel Rincón Rincón, acusados pelo crime de terrorismo. Além disso, outros dez terroristas vinculados ao grupo também sofreram o aumento de suas penas pelo mesmo crime. Os integrantes do MRTA ainda terão de reparar economicamente os civis atingidos pelo terrorismo. O Ministério Público do país queria prisão perpétua para os líderes da banda subversiva.

De acordo com o procurador anti-terrorista Julio Galindo, a decisão da justiça peruana será entregue aos parlamentares europeus para reforçar a qualificação de organização terrorista do MRTA. É o mínimo que a Europa pode fazer se quiser de fato combater o terrorismo global.

O MRTA, assim como a Farc, operam interna e externamente. Militantes dessas organizações radicados no Brasil, Bolívia e Chile, realizam um trabalho “diplomático”, de arrecadação de fundos, treinamento e estão envolvidos com o crime organizado. Em maio, um representante do MRTA asilado no Chile informou que 18 guerrilheiros estavam prontos para integrar-se às Farc e no final do ano passado, o grupo utilizou a Agência Bolivariana de Imprensa para difundir mensagens radicais.

Gera apreensão entre os peruanos a decisão de 30 supostos ex-emerretistas de fundar o partido Pátria Livre. O líder da futura agremiação, Aníbal Apari, cumpriu pena de 16 anos por terrorismo e casou-se ainda na prisão com Lori Berenson, de nacionalidade norte-americana e que integrou o MRTA. Junto com Apari está Luis Alberto Gordon Iglesias, outro emerretista que em fevereiro representou a organização do segundo congresso da Coordenadora Continental Bolivariana, em Quito.

No entanto, o caso mais emblemático é o do jornalista Walter Chávez vinculado ao MRTA e que conta com a proteção do governo da Bolívia em La Paz. Chávez foi um dos principais assessores do presidente Evo Morales a quem conheceu em 1988. Ele vive naquele país na condição de refugiado político desde 1998 e em março a Suprema Corte boliviana negou a sua extradição, exigida pelo Peru.

[1] Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais e Estratégias e Políticas de Defesa. Correio eletrônico: inforel@inforel.org.

 
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